segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Re[In]spiração.


Ando na busca de sentido; Nas linhas me embaraço.

Na insaciável tentativa de dizer-te o que jamais foi dito. Gritos dissonantes do passado, transfigurando-se em mundos distantes de onde o sentido escapa.

Desligo-me do grito aflito esporádico, na tentativa de pintar o invisível. Fujo de clichês, busco humanizar o humano escondido no cotidiano.

Convoco as cores, flores e melodias, na tentativa de construir o inesgotável.

A inspiração me parece um relâmpago: num instante surge iluminando tudo ao redor, noutro foge na astuta velocidade da luz. Mais rápido que a velocidade dos meus dedos, mais rápido que a velocidade do meu pensamento.

E nessa corrida desesperada o que resta é o tempo perdido e as cinzas pelo ar, sem letras ou tentativas, Que se põem a vagar.

Calmaria ou turbilhão? Os devaneios não querem escapar.

Frases soltas sempre ecoam. Temas, versos, fatos, unidos na tentativa de pintar retratos cuja tinta insiste em escorrer pelos lados.

A pintora sem tinta ou pinceis, a que tenta escrever e nem ao menos sabe fazê-lo, a contempladora do nada, a jardineira sem jardim. A que perde versos pela eternidade, a vencida pela tecnologia dos códigos binários. A caçadora de devaneios tolos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Today.

Imersa mais uma vez no universo das letras, fugindo de tarefas adiáveis que inventei pra passar o tempo. Pois, insistentemente algo grita. A vontade de escrever o indescritível, o impublicável (que publicarei) , aquilo que eu não revelo nem a mim mesma (mas aos poucos acabo revelando).

É triste que existam fatos assim. É triste ter vergonha de si própria, e às vezes parece que vou sangrar na tentativa de cavar poços profundos pra esconder a verdade. A cura de todo mal é se pensar não fosse pecado, sentir não fosse pecado. Omitir não fosse lei.

Será posso fica em paz com meus pensamentos? Hoje me peguei várias vezes fazendo um único lembrete mental: Não seja estúpida. Não seja estúpido você, lembrete. Deixe-me pensar, é a única forma palpável de alcançar o que desejo utópico.

Silencia-se pensamento podador. Que hoje eu quero pensar livremente. Hoje eu quero poder dizer a mim aquilo que em outra ocasião eu expulsaria. Ao menos uma vez quero fazer aqueles planos ridículos e não balançar a cabeça logo após, e não voltar à terra, jamais. Ao menos hoje.

Depois poderei andar a vontade por cidades onde a atmosfera cheira a correntes, onde o ar livre não é tão livre assim, onde olhares são capazes de penetrar mentes. Onde o lado de fora parece está cercado de quatro paredes de um calabouço. Poderei caminhar com o sorriso maroto de quem esta ganhando por ter provado da libertade, mesmo que ontem.

domingo, 17 de outubro de 2010

Maybe.



Lá estava, olhando a estrada à espera da volta dele. Mesmo isso não tendo a mínima chance de acontecer. Lá estava conferindo o celular e esperando a ligação de alguém que sequer tem o seu número, lembrando que outrora tivera e ligava, mas ela apenas ignorava. Aqui estou presenciando a agonia da moça que deixou muita coisa passar, mesmo dizendo que jamais o faria.

Na angustia de quem lembra de ter ouvido uma pessoa mais velha dizer: Não desejo essa dor a ninguém, nem ao meu pior inimigo. Quando, deparou-se frente a frente com o passado-zumbi que ela enterrou, aterrorizando-a no presente e a deixando-a impotente.

Impotência esta que eu sinto quando presencio-a, sem saber o que fazer com os sonhos que a atormenta, com a lembrança de um esboço de passado inacabado. Palavras não ditas são venenos que deixam qualquer cicuta no chinelo.

Lendo livros que já leu, na esperança do tempo passar, desligando o computador com o pretexto de não ver as horas. Desculpas tolas, na verdade é pra não vê-lo lá sem dá uma palavra com ela. Isso dói mais que a ausência...

E aqui estou sem ter o que dizer quando ela disse: “Quem sabe o que ter e perder alguém sente a dor que eu senti” ¹. Eu ainda não perdi, não posso aconselhar, mas sinto sua dor, pobre jovem que deixou as chances passar. Pobre jovem que é tão cego e que não enxerga a ternura que o espera in off e ninguém sabe por quanto tempo vai continuar por lá.

Talvez as coisas continuem não dando certo, talvez dêem sim certo, talvez apareça um outro alguém como sempre acontece, nesse caso, só não desejo a ela um futuro semelhante ao da mulher que luta com o passado zumbi que bate à sua porta, chamando-a a jogar tudo pra cima.
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¹Quem sabe - Los Hermanos.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Da maré.



Não sei de onde vem a calmaria ou a melancolia. Mas a calmaria pra mim é estrangeira. Por que não há produção na inércia sentimental ou na alegria? Ponho-me então a escrever linhas tortas e sem sentido, a nível de comparação com o que dantes era cotidiano. “Sou um móbile solto no furação, qualquer calmaria me dá solidão.”¹

Penso e esqueço o que pensei, sorrio e não sei o motivo. Faço coisas que outrora não imaginei que faria. Esse sentimento é alheio, como havia dito. Por isso fico esperando o que está por vir. Convivo com ele como quem hospeda um estranho com casa. Sempre com o pé atrás, sempre observando cada pista ou sinal de mudança de comportamento. "Porém, avisa que é de se entregar o viver."²

Mas, enquanto isso deixo a brisa bater, deixo a atmosfera densa e estranhamente leve me tocar, deixo os afazeres para lá. Vivo com esse sorriso bobo, sempre observando o sentido escapar. Onde está a essência? Só consigo tocar o vácuo do que passou, o intocável, invisível, o vazio que restou. Como alguém que contempla a noite sem ter passado pelo espetáculo do pôr do sol. Mas mesmo assim, admira conformado a beleza das estrelas.

É, pode ser que a maré não vire. Pode ser do vento vir contra o cais. E se já não sinto teus sinais. Pode ser da vida acostumar. ³
Cansada de falar do que sempre falo, de dá murros em pontas de faca e talvez com espírito de conformismo. Pois é, deixa assim como está tão sereno. ²
Por que só a música pode traduzir. ;)
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¹ Paulinho moska - Um mobile no furação
² Los Hermanos - Pois é
³ Los hermanos - Os barcos

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Post nascido de um tweet.

Imagem: Angel Estevez

Sabe quando você tá super confortável em algum lugar aí se levanta para fazer algo, retorna e jamais acha a posição de conforto? Dá vontade de permanecer sempre no estado de inércia sem que nenhuma força de resultante diferente de zero interfira no meu estado.

Temo que isso seja apenas uma analogia a complexidade das relações. As vezes não há ordem depois do caos e bagunçamos a casa sem saber por onde começar a por ordem nela novamente. Seria tirando a poeira ou arrumando os móveis? E se a inercia transformar-se em preguiça?

O estado mental que impede mudanças, seria covardia, inércia ou preguiça? Vontade não tenho de responder. Mesmo achando que, como diria Matingueiros "A vida é uma ciranda e não para de rodar". Roda roda e volta pro memo lugar, acorrentados por vontade propria (ou não). Digo eu.

Sentir-se prisioneiro de si mesmo, estrangeiro em todo lugar, um andarilho que não tem pra onde voltar, todo lugar é seu lar e ao mesmo tempo lugar nenhum.

Todas ocasiões podem ser eu, mas ao mesmo tempo coisa alguma, uma vitima da liberdade que nos mantém prisioneiros. Nascendo da arte de contemplar o nada e não saber o que fazer.